jun
7
2021

CEARÁ – OPINIÃO| Capitão Wagner: Não é fácil vida de oposição no Ceará.

Ser oposição no Ceará é uma das tarefas mais inglórias que há, embora seja imprescindível na democracia. A força política do governismo é quase absoluta. Esse cenário não é estranho para Capitão Wagner (Pros), cuja possível candidatura a governador foi assunto da coluna de ontem. Ele é hoje quem mais personifica a oposição aos Ferreira Gomes. Há alguns anos tirou o posto de Heitor Férrer (Solidariedade), que nunca correu o risco que Wagner diz aceitar bancar: o de ficar sem mandato. O capitão é popular e tem hoje a militância mais organizada do Estado. Porém, até hoje, isso nunca foi suficiente para vencer uma eleição no Estado.

A última vez em que um candidato de oposição foi eleito governador foi em 2006, quando Cid Gomes derrotou Lúcio Alcântara — mas ali houve um racha dentro do governismo, com Lúcio batendo de frente com o maior líder do PSDB, Tasso Jereissati (PSDB). Antes disso, o último candidato de oposição a se eleger governador do Ceará havia sido Parsifal Barroso, em 1958.

Na história do Ceará, as alternâncias de poder não têm ocorrido diretamente nas urnas. Elas se dão mais com rupturas internas. Gonzaga Mota era apoiado pelos coronéis, mas rompeu com eles no governo. Depois lançou Tasso Jereissati para governador. Que rompeu com Gonzaga após eleito. Em 2006, Lúcio era governador, mas o maior líder do governismo era Tasso, que rompeu com ele. Cid Gomes era um aliado que abriu dissidência, ajudado pelo racha aberto por Tasso na base governista. Em 2014, quando a oposição teve chance real de vencer, Eunício Oliveira também saiu de dentro da base aliada. Há mais de 60 anos, o Ceará é governado por quem já estava no poder ou por quem saiu de dentro dele.

É muito diferente de Fortaleza, laboratório propício a experimentações políticas e onde Wagner já mostrou força. Os grandes centros urbano são diferentes demais do Interior. Até hoje, na história do Ceará, ninguém se elegeu sem fortes bases municipais.

Olhar para o passado não quer dizer que as coisas irão se repetir, sempre serão daquele jeito. Por exemplo: durante 40 anos, os senadores no Ceará sempre foram eleitos na chapa do governador. A última exceção havia sido em 1974, até que ocorreu de novo em 2014, com Tasso Jereissati (PSDB). Em 2018, pela segunda eleição seguida, um senador foi eleito sem estar na chapa vitoriosa para o Executivo: Luis Eduardo Girão. O derrotado, Eunício Oliveira (MDB), conta histórias de dissidências e traições. Algo que também teria ajudado Mauro Benevides na histórica eleição de 1974. Nos dois casos, para derrotar o candidato do governador, houve rachas na aliança. A história não significa que jamais será diferente, mas indica o quanto pode ser difícil que algumas coisas mudem.

OPINIÃO: Érico Firmo/O POVO. 

About the Author: Bené Fernandes

Radialista com mais de 25 anos de militância em Sobral(CE), e agora Jornalista Profissional, sob o Registro- 01657 MTb - datado de 23/12/2004. Trabalho atualmente na Rádio Paraíso FM-101,1 Mhz, onde apresento o Programa HORA DA NOTÍCIA - no horário de 11hs ás 13 horas. Nas tardes da Paraíso FM levo alegria de descontração no Programa FORRONEJO de 15hs ás 17 horas. Se ligue com a gente e venha curtir o melhor da informação e do entretenimento musical.

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