O pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) não participará do evento do PL de lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes — cotado para integrar a chapa do tucano — ao Senado no mês que vem. O encontro do partido, em 10 de julho, deve contar com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro.
O ex-ministro articula uma chapa unificada com os principais nomes de oposição ao petismo no estado para enfrentar o governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição. Ciro tenta evitar a nacionalização do debate no Ceará como estratégia de campanha.
A informação de que o tucano não participará do evento do PL foi confirmada por interlocutores do ex-ministro. A presença do partido na chapa de Ciro vem sendo negociada nos últimos meses, mas uma decisão não deve ser tomada antes das convenções partidárias, no fim de julho.
O diretório do PL no Ceará deseja lançar Alcides — que é pai do presidente estadual da legenda, o deputado federal André Fernandes — ao Senado na chapa de Ciro. A possibilidade de aproximação da sigla com o tucano é desaprovada pela ex-primeira-dama, que defende o apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual.
A campanha de Ciro aposta em temas locais, como economia, segurança pública e saúde. Sobre a eleição presidencial, o ex-ministro vai seguir a diretriz do PSDB, que considera lançar um nome próprio ao Planalto neste ano. Interlocutores afirmam que uma eventual decisão do PL de apoiá-lo no estado, não significa que Ciro irá caminhar junto ao partido da família Bolsonaro nacionalmente.
Bolsonarismo no Ceará
A participação de Michelle e Flávio no evento o é um movimento acompanhado com atenção por aliados do PL após divergências recentes envolvendo a estratégia da legenda no Ceará e divergências tornadas públicas entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua madrasta.
O encontro ocorrerá justamente no estado que se transformou em foco de disputa entre os grupos ligados a Michelle e a Flávio em meio às negociações para uma aproximação com Ciro. Os dois estarão na capital cearense para agendas diferentes, mas devem dividir o mesmo palco durante um evento partidário.
Michelle irá ao Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura ao Senado de Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas. Já Flávio acompanhará o lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes, tendo gravado um vídeo ao lado do senador, que confirmou sua presença no evento.
Os dois grupos divergem sobre qual nome o PL deve apoiar para compor uma eventual chapa ao Senado em uma aliança com Ciro. As discussões expuseram diferenças entre os aliados da ex-primeira-dama e do senador, que mantêm uma relação distante e raramente aparecem juntos em compromissos políticos.
Rompimento
A relação de Michelle com Flávio azedou quase um mês antes do anúncio dele como pré-candidato ao Planalto, em dezembro do ano passado. O afastamento ocorreu após o senador ter feitos críticas públicas à madrasta, classificando a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”.
A fala do senador ocorreu após Michelle se posicionar contra uma aliança costurada no Ceará para que o bolsonarismo apoiasse Ciro ao governo estadual. A ex-primeira-dama tentou articular o apoio da legenda à Girão, que se coloca como oposição ao tucano.
À época, as negociações para que um acordo entre Ciro e o PL fosse firmado foram rompidas diante da exposição da divergência. Nos últimos meses, entretanto, há sinais de reaproximação entre a ala do tucano e o bolsonarismo no estado.
Recentemente, Michelle afirmou que apoiará a candidatura do enteado “no momento certo”, sem detalhar quando pretende se engajar de forma mais direta na campanha, se é que isso vai acontecer. Apesar disso, não há previsão de que ela faça manifestações explícitas de apoio ao senador durante a agenda no Ceará.
Reservadamente, integrantes do partido avaliam que a simples presença dos dois no mesmo palco já terá peso político e poderá ser interpretada como um gesto de unidade dentro do grupo bolsonarista. A avaliação, porém, não significa que exista qualquer ação coordenada para transformar o evento em uma demonstração formal de apoio da ex-primeira-dama à pré-candidatura presidencial de Flávio.
Fonte: Globo.com
Postado por Bené Fernandes







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