jul
4
2018

SOBRAL – 245º aniversario, uma história boa de se contar.

Nesta quinta-feira (5) Sobral comemorará seu 245º aniversário de emancipação política. Que o momento festivo também para estimular seus 201.756 habitantes (estimativa IBGE 2015) a conhecer um pouco mais da história da Fazenda Caiçara, passando pela Vila Distinta e Real até a atual cidade de Sobral. 

Além disso, que também se reverta em ocasião para seu povo inteirar-se mais, questionar mais e exigir mais as providências cabíveis e necessárias, a fim de que se tenha uma cidade melhor e seus moradores mais felizes, com segurança, paz e oportunidade para todos que trilham os caminhos do bem. Parabéns, Sobral!

CAIÇARA – Nome dado à porção de terra herdada por Quitéria Maria de Jesus, como dote de seu casamento com Antônio Rodrigues de Magalhães. Quitéria havia herdado de sua mãe, Apolônia da Costa, casada com o sargento-mor Antônio Marques de Leitão. E Apolônia, por sua vez, teve sua parte herdada de seu pai Antônio da Costa Peixoto, português, vereador em Aquiraz. A 14 de outubro de 1702, este edil conseguiu uma sesmaria às margens do rio Acaraú, medindo uma légua e meia de comprimento com meia légua de largura, indo da margem esquerda do rio Acaraú ao sopé da serra da Meruoca.  De suas terras, Antônio e Quitéria fundaram a fazenda à qual deram o nome de Caiçara pelo fato de ter sido no início protegida com uma cerca de varas. Isso é corroborado pela etimologia: a palavra Caiçara vem do tupi e significa “cerca feita de mato”.

Protesto – Muitos que levam adiante a história de Sobral em seus escritos ou pronunciamentos têm pecado por omitir a grande importância do padre visitador Lino Correia Gomes. Para mim, ele foi o verdadeiro fundador de Sobral e não o fazendeiro Antônio Rodrigues de Magalhães. E explico: Pe. Lino foi o pai da ideia de instalar a sede de um curato por aqui. Com o curato, veio o desenvolvimento. Antônio simplesmente doou terras e não tinha a mínima intenção de fundar uma cidade, inclusive pouco permanecia nesta região.

VILA DISTINTA E REAL DE SOBRAL – A 14 de novembro de 1772, por ordem do Governador e Comandante Geral de Pernambuco, Manuel da Cunha de Menezes, foi criada a Vila Distinta e Real de Sobral. Sua instalação oficial, bem como a eleição e posse da primeira Câmara de Vereadores só aconteceu no dia 5 de julho de 1773. O nome Vila Distinta e Real de Sobral traz consigo certo ar de nobreza. Senão vejamos:

DISTINTA – Porque não tivera origem indígena ou bárbara, nem fora sede de missões jesuíticas ou de outras congregações religiosas. Sobral fora colonizada por portugueses ou descendentes destes e catequizada por padres seculares.  Todas as vilas surgidas dessa forma, de colonização totalmente branca, eram consideradas com ares de nobreza e, portanto, distintas.

REAL – Pelo fato de ter sido criada por ordem direta do Rei e, por isso, recebia dele proteção e simpatia. Existiam vilas criadas de aldeias indígenas, mas não recebiam os adjetivos “Distinta e Real”.  Eram chamadas apenas Vila ou Vila Nova, acrescido do nome do local. Vila formada de habitantes estritamente de origem portuguesas era Distinta e Real, como foi o caso de Sobral, exemplo único no Ceará. Quando foi baixado o decreto pelo Rei para criação das Vilas era uma ordem retirar todos os nomes indígenas e alterar para nomes de locais já existentes em Portugal.

No caso deste município, a denominação vem de Sobral da Lagoa de Óbidos, terra dos  ancestrais de Quitéria Maria de Jesus, esposa de Antônio Rodrigues de Magalhães. Obs.: Em Portugal pode-se encontrar mais de uma dezena de localidades que recebem o nome Sobral acrescido de mais algum designativo.

SOBRAL – Sobral (ou sobreiral) é o coletivo da palavra sobro, sovro ou sobreiro (fotos). Trata-se da denominação popular de Quercus Súber, uma das árvores florestais mais abundantes em Portugal. 

É a única quercínea produtora de cortiça da região mediterrânea. O sobreiro é uma espécie que requer umidade e solos relativamente profundos e férteis, embora também tolere temperaturas altas e períodos secos de três a quatro meses, típicos do clima do sul de Portugal. 

Entre as características que o distinguem dos restantes carvalhos, sobressaem: – o considerável desenvolvimento que pode atingir o invólucro suberoso do tronco e dos ramos; – a faculdade que a árvore possui de regenerar uma nova assentada geradora de cortiça quando se despojam aqueles órgãos do revestimento protetor; – a homogeneidade e pureza do tecido suberoso e as suas notáveis propriedades físicas, mecânicas e químicas. É devido à cortiça que o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos. 

A extração da cortiça não é (em termos gerais) prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de “casca” (súber) com idêntica espessura a cada 9 – 10 anos, período após o qual é submetida a novo descortiçamento.

JANUÁRIA DO ACARAÚ – Vale lembrar que o município já recebeu este nome. Quando da elevação de Vila à categoria de cidade, o presidente da Província do Ceará (hoje equivalente a governador do Estado), José Martiniano de Alencar, que era padre e pai do famoso romancista cearense José de Alencar, através da Lei nº 229, de 12 de janeiro de 1841, deu o nome a esta terra de Fidelíssima Cidade Januária do Acaraú. Explica-se, também, esse pomposo nome.

FIDELÍSSIMA – Pela fidelidade dos sobralenses ao Pe. Alencar, quando da revolta contra seu governo, ocorrida na então Vila Distinta e Real de Sobral em 1840. Houve sérios conflitos com várias mortes, saindo vitorioso o Pe. Alencar.

JANUÁRIA – Homenagem que o presidente da Província queria prestar à jovem irmã do imperador D. Pedro II, a Princesa  Januária, de 19 anos (Daí,  “Princesa do Norte”). A população não gostou nem pouco da mudança de Sobral para Januária. No ano seguinte, o novo presidente, José Joaquim Coelho, através da Lei nº 244, de 25 de outubro de 1842, atender aos reclamos da população retornando o nome do lugar para Sobral. Com o nome de Januária, este município ainda permaneceu durante um ano, nove meses e treze dias. 

Por toda essa belíssima história, parabéns Sobral!

Coluna do Radialista Artemísio da Costa.

Fonte: Jornal Correio da Semana.

About the Author: Bené Fernandes

Radialista com mais de 20 anos de militância em Sobral(CE), e agora Jornalista Profissional, Registro- 01657 MTb - datado de 23/12/2004. Trabalha atualmente nas Rádios Paraíso FM-101,1 Mhz, com o Programa FORRONEJO e na Rádio Coqueiros FM -95,3 Mhz, no Programa HORA DA NOTÍCIA. Participo do Programa Alô Alô Zona Norte na Rádio Tupinambá AM de Sobral, com o quadro "moendo a notícia", onde faço comentários sobre os principais fatos da nossa política.

Deixe um comentário

Anuncie aqui!

Faculdades Uninta

Faculdades Uninta

Image and video hosting by TinyPic

Curta nossa página

Veja posts mais antigos

julho 2018
S T Q Q S S D
« jun    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Fale conosco

Hora certa

A voz de Sobral em Brasília

Deputado Federal Moses Rodrigues

Parceiros do Blog

Tel: (88) 3611-4536

MAIS DE 20 ANOS DE SUCESSO

Rua cel. Ernesto Deocleciano, 660 - centro - Sobral - ceará

Fone: (88)3613-2127



Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Nosso Acessos

Contador de visitas y estadísticas

Forronejo na Fm Paraíso