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2018

BRASIL – Eleições: Aos industriais, Ciro Gomes defendeu um projeto de desenvolvimento nacional; ao falar da reforma trabalhista, acabou vaiado.

(Brasília-DF, 04/07/2018) Numa das últimas quarta-feiras de trabalho normal em Brasilia às vésperas do recesso parlamentar, a Confederação Nacional da Industria(CNI) reuniu os principais pré-candidatos à Presidência da República num evento em que foram apresentadas as propostas da indústria assim como eles tiveram a oportunidade de apresentar suas principais ideias.

Ciro Gomes (PDT) disse que deseja estruturar estratégias nacionais de desenvolvimento. O pré-candidato afirmou que falta concepção estratégica de país desde a década de 1980. Segundo ele, o Brasil apostou no crescimento por meio do consumo, sem proposta sólida de desenvolvimento da produção. Ele participou do Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira ,4, na Capital Federal.

Ele lembrou que os níveis de produtividade e de crescimento da economia estão estagnados há décadas e que o país não se preparou para o impacto que a tecnologia teve no modelo produtivo em todo o mundo.

O candidato, ex-governador do Ceará, ex-ministro e ex-deputado federal, defendeu enfrentar dois temas que, para ele, são os maiores adversários do crescimento do país: a taxa de juros e o câmbio. Em relação a investimento e financiamento, ele defendeu o papel dos subsídios e o ajuste de condições adequadas para o financiamento público de grandes obras de infraestrutura.

Gomes reiterou que, se eleito, reabrirá a discussão sobre a modernização das leis trabalhistas. Quanto às reformas, o pedetista afirmou que os seis primeiros meses de governo são estratégicos para discutir temas de alta relevância nacional, como as reformas tributária e previdenciária.

Sobre a última, o candidato afirmou que não há como reformar o sistema atual e que proporá transição para novo regime, de capitalização e unificação de tetos para servidores públicos e da iniciativa privada. Entre as propostas no tema, está a realização de plebiscito ou referendo.

Ao falar sobre Reforma Trabalhista, que ele sinaliza por uma revogação, ele acabou vaiado por parte dos empresários que antes não negaram aplausos em série ao deputado federal Jair Bolsonaro.  Na coletiva que ele concedeu aos jornalistas, logo após o evento, ele disse que as vaias e o apoio a Bolsonaro seria “o sinal dos tempos”.

Confira os principais pontos da apresentação de Ciro Gomes aos empresários:

Desenvolvimento

“Desde 1980, quando colapsou o velho modelo desenvolvimentista, o Brasil não percebeu o choque de produtividade que a tecnologia impôs ao mundo. Quando isso aconteceu, não tínhamos um ambiente democrático. Quando retomamos a democracia, continuamos a falhar na concepção estratégica de país. De lá para cá, o Brasil cresce 2% ao ano, em média. No ciclo mais generoso desde o Plano Real, expandimos o consumo e não cuidamos da produção.”

Estratégia

“Estamos afundando estrategicamente como nação. Temos que devolver ao imaginário brasileiro a ideia de projeto nacional. Alguém consegue dizer qual é rumo do Brasil sob o ponto de vista de energia? Petróleo? Bioenergia? Construção Civil? Formação de médicos? É inadiável que temos de celebrar entre nós a ideia de um projeto nacional. E tomar o exemplo de quem fez o mesmo, sob o ponto de vista de indicadores socioeconômicos, num universo de 50 anos. A Coreia do Sul saiu do nada e hoje tem 3% do comércio mundial, enquanto nós somos menos de 1%.”

Pacto social

“O Brasil precisa desse encontro. Não vamos sair do atoleiro sem esse amplo diálogo. O Brasil está proibido de crescer por fatores que o mercado, sozinho, não tem condição de resolver. Estado e iniciativa privada têm papel central. Precisamos associar governo forte com um empresariado forte”

Reforma trabalhista

“Eu, sozinho, não tenho poder para revogar nada. Mas acho que precisamos voltar a diversos pontos. Meu compromisso com as centrais sindicais é botar essa bola de volta para o meio do campo.”

Investimentos

Ao contrário do mito, não é o espontaneísmo individualista que gera alto nível de formação bruta de capital. São arranjos institucionais que a política faz ou deixa de fazer. Se faz bem feito ou mal feito. Na prática, é como se desenha o sistema previdenciário, o sistema tributário, como se organiza o mercado de capitais. Que tipo de perfil o capital tem? Quantos fundos de venture capital relevantes há no Brasil? Como imaginar que vamos inovar financiados por 52% de juro ao ano? Essa é a taxa de juros média, dados oficiais da Febraban.”

Subsídio

“Vejo candidatos dizendo que subsídio é uma impertinência abusiva, que tem que ser revogado. Sabe o que isso quer dizer? Destruir o agronegócio em 12 meses. O subsídio ao crédito rural no Brasil custa R$ 160 bilhões públicos ao ano. Sabe o que isso quer dizer [em relação ao fim do subsídio]? Descapitalizaram o BNDES e desfizeram a TJLP, que criei quando era ministro da Fazenda”. Ciro Gomes afirmou que restaurará a TJLP, caso seja eleito.

Financiamento

“Como financiar infraestrutura? Qual é o país do mundo que fez infraestrutura sem o Estado? Volto a dizer, não precisa ser o Estado diretamente. Há mil caminhos, como a concessão, mas é, no mínimo, necessário crédito compatível com esse tipo de atividade. Se eu invisto numa ferrovia ou numa rodovia, o prazo médio de amortização tem que ser diferente do crédito popular, que tem uma demanda exorbitante. É uma evidência que todos nós dominamos, mas na hora do debate geral do país, a gente parece abandonar a nossa observação empírica.”

Judiciário

“O Judiciário brasileiro precisa voltar para o seu quadrado, o Ministério Público precisa voltar para o seu quadrado. A quem servem presidências fracas? A quem servem democracias que o presidente da República nomeia um ministro para o Supremo e este anula a decisão? Precisamos restaurar força do poder político. Há inúmeros casos em que o Judiciário tem legislado no Brasil.”

Reforma da Previdência

“Todo mundo sabe que o modelo que está aí é irreformável. Nós, Argentina e Venezuela – e neste assunto, não são boas companhias – somos os únicos da América Latina que insistem no regime de repartição, que só funciona com demografias jovens e com alta formalidade do mercado de trabalho, tudo que não temos mais. Temos de botar outro sistema no lugar, o sistema de capitalização. Vou propor em detalhes um regime de transição.”

Confiança

“Confiança não é simpatia. Confiança é não mentir. As pessoas imaginarem que vai ter capitalismo sem consumo de massa… consumo de massa se afirma na renda do povo. A China acaba de passar o Brasil no custo da hora trabalhada. Não são os salários que encarecem a produção. São os juros e a manipulação do câmbio.”

( da redação com informações de assessoria. Edição: Genésio Araújo Jr)

Fonte: Política Real.

About the Author: Bené Fernandes

Radialista com mais de 25 anos de militância em Sobral(CE), e agora Jornalista Profissional, Registro- 01657 MTb - datado de 23/12/2004. Trabalha atualmente na Rádio Paraíso FM-101,1 Mhz, com o Programa FORRONEJO e em 2018 estreamos com o Programa A HORA DA NOTÍCIA, a partir das 12 hs. Participo ainda do Programa Alô Alô Zona Norte na Rádio Tupinambá de Sobral, com o quadro "moendo a notícia", onde faço comentários sobre os principais fatos da nossa política.

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